HÉLIA CORREIA
Hélia Correia nasceu em 1949, em Lisboa, estreou-se muito nova com poesia em suplementos literários e antologias e enquanto romancista com O separar das águas (A Regra do Jogo, 1981). Seguiram-se O número dos vivos (Relógio D’Água, 1982), Montedemo (Ulmeiro, 1983), Villa Celeste: novela ingénua (Ulmeiro, 1985), Soma (Relógio D’Água, 1987), A fenda erótica (O Jornal, 1988), A luz de Newton (Relógio D’Água, 1988), A casa eterna (Círculo de Leitores, 1991), Insânia (Relógio D’Água, 1996), Lillias Fraser (Relógio D’Água, 2001; prémio P.E.N. Clube 2001), Bastardia (Relógio D’Água, 2005), Adoecer (Relógio D’Água,2010) e Um Bailarino na Batalha (Relógio D’Água, 2018; Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores). Escreveu ainda para teatro Perdição: exercício sobre Antígona; seguido de Florbela: teatro (Dom Quixote, 1991), O rancor: exercício sobre Helena (Relógio D’Água, 2000) e Desmesura: exercício com Medeia (Relógio D’Água, 2006).
Traduziu uma obra de Adelaida Garcia Morales, O Sul seguido de Bene (1988); o romance Os Adeuses (2009), de Juan Carlos Onetti; textos de Simon Stephens, Um Precipício no Mar; Punk Rock (2010, em co-autoria com Joana Frazão); e fez a revisão da tradução de Despir a que está nua, de Griselda Gambaro. Escreveu os prefácios de Vinte horas de liteira (1984) e Maria da Fonte (1986), de Camilo Castelo Branco, bem como o prefácio de Bichos Instantâneos (2005), de António Ramos Rosa e Isabel Aguiar de Barcelos; e o prefácio à edição de O Monte dos Vendavais (2007), de Emily Brontë, pela Relógio D’Água. Fascinação (Relógio D’Água, 2004) consiste num conto elaborado a partir da narrativa de tradição popular, A dama pé-de-cabra, de Alexandre Herculano.
Traduziu e compôs uma versão infantil de Sonho de uma noite de verão (2003), de William Shakespeare, e criou A ilha encantada: versão para jovens de A Tempestade de William Shakespeare (Relógio D’Água, 2008). Em colaboração com a Culturgest produziu a peça O Segredo de Chantel (2006) para o projeto PANOS – palcos novos palavras novas, dirigido a um público jovem. Com Henrique Cayatte iniciou uma série para crianças e jovens sobre as aventuras de um menino grego na antiguidade pré-clássica (Mopsos, o pequeno grego - O Ouro de Delfos, vol. 1, Relógio D’Água, 2004; Mopsos, o pequeno grego – A Coroa de Olímpia, vol. 2, Relógio D’Água, 2005).
É também poetisa, possuindo um livro de poemas em díptico com Jaime Rocha, A Pequena Morte/Esse Eterno Canto (Black Sun, 1986), participou em 10 Poemas para Che Guevara (1980) e em Vozes e Olhares no Feminino (2001). Publicou o livro de poesia A Terceira Miséria (2012; prémio literário Casino da Póvoa, na 14ª Edição das Correntes d'Escritas; prémio P.E.N. Clube na categoria de poesia) e Acidentes (Relógio D’Água, 2020). A autora possui ainda vários contos publicados em diversas revistas literárias, como é exemplo a revista de contos Ficções, com “Vilegiatura” (2001), e em antologias de contos, como é o caso da publicação Onde a Terra Acaba: Colectânea de Contos Portugueses/On the Edge: Portuguese Short Stories, com “Sul” (2006), bem como num número significativo de periódicos (refira-se a título de exemplo, O Escritor e a revista Egoísta). Uma seleção dos seus contos foi reunida pela autora em dois volumes: Contos (Relógio D’Água, 2008) e Vinte Degraus e outros Contos (Relógio D’Água, 2014; Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco). O fascínio que os contos de Hélia Correia produzem no leitor é igualmente expresso no número de traduções realizadas, a título de exemplo, mencione-se algumas antologias internacionais: Storytelling: Memory, Love and Loss in Portuguese Short Fiction (2016); Take Six (2018); The Radiance of the Short Story: Fiction from around the globe (2018); Tempo da História Esplendor do Conto/ Beyond History: The Radiance of Short Stories (2018); e Lisbon Tales (2019). Em 2015, Hélia Correia foi galardoada com o mais importante prémio literário atribuído a autores de língua portuguesa, o Prémio Camões.
Outra Bibliografia:
• Papagaios de Natal e outros contos (Cooperativa de Acção Cultural, 1977)
• A chegada de Twainy (Relógio D'Água, 2011)
• A luz de Newton (2ª edição revista e aumentada; Relógio D’Água, 2015)
• O separar das águas e outras novelas (Relógio D’Água, 2015)
• Adoecer (Circuito, 2018; edição publicada no Brasil com o apoio da DGLAB – Portugal)
• Vinte Degraus e outros contos (Pontes Editores, 2021; edição publicada no Brasil com o apoio da DGLAB – Portugal)
• Associação Casa Jaime Rocha: www.casajaimerocha.pt (Sítio onde se preserva e alimenta o espólio literário de Jaime Rocha e Hélia Correia.)
Bibliografia Crítica Selecionada
Alonso, Cláudia Pazos. 1999. «Repensar o feminino: O Montedemo, de Hélia Correia». Via Atlântica 2 (1): 108–19. https://doi.org/10.11606/va.v0i2.48737.
Fernandes, Sónia Andreia da Cunha. 2009. «Representações fantásticas na literatura portuguesa contemporânea: a ficção narrativa de Hélia Correia». Dissertação de mestrado, Braga: Universidade do Minho. https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/10398.
Hörster, Maria António, e Maria de Fátima Silva. 2017. «Hélia Correia, A de Cólquida». Em O Livro do Tempo: Escritas e reescritas – Teatro Greco-Latino e sua recepção II. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra. https://estudogeral.uc.pt/handle/10316/46628.
Hörster, Maria António, e Maria de Fátima Silva. 2015. «Penthesiléa, de Hélia Correia». humanitas 67: 169–92. https://doi.org/10.14195/2183-1718_67_8.
Lisboa, Maria Manuel. 2004. «Até ao fim do mundo: Amor, rancor e guerra em Hélia Correia». Revista Crítica de Ciências Sociais, n.o 68 (abril): 65–83. https://doi.org/10.4000/rccs.1081.
Manojlovic, Tatjana. 2007. «A peça bilingue de Hélia Correia». Sinais de Cena, n.o 7 (junho): 106–7. https://doi.org/10.51427/cet.sdc.2007.0027.
Marinho, Maria de Fátima. 2020. «Êxodos reinventados (A propósito de Um Bailarino na Batalha de Hélia Correia)». Revista de Estudos Literários 10: 159–73. https://doi.org/10.14195/2183-847X_10_8.
Rodrigues, Isabel Cristina. 2007. «Florbela Mínima – exercício sobre Hélia Correia». Forma Breve, n.o 5: 55–66. https://doi.org/10.34624/fb.v0i5.6739.
Silva, Maria de Fátima Sousa e. 2006. Furor: Ensaios sobre a obra dramática de Hélia Correia. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra. https://books.google.pt/books?hl=pt-PT&lr=&id=AkTDnmV6WuAC&oi=fnd&pg=PT4&dq=H%C3%A9lia+Correia&ots=h3xMtak_24&sig=MwnSFmknBsziDod3MI2omv8Lh3M&redir_esc=y#v=onepage&q=H%C3%A9lia%20Correia&f=false.
Simões, Maria João. 2020. «A Mulher e a Arte: figurações da marginalidade feminina em Adoecer de Hélia Correia». Revista de Estudos Literários 10: 193–210. https://doi.org/10.14195/2183-847X_10_10.