1964 - Direitos reservados

MARIA TERESA HORTA

Nasceu em 1937, em Lisboa, onde frequentou a Faculdade de Letras. Escritora e jornalista, foi a primeira mulher a exercer funções dirigentes no cineclubismo em Portugal. É conhecida como uma das mais destacadas feministas portuguesas.
Estreou-se na poesia em 1960, com Espelho Inicial (edição de autora, Faro, Tipografia Cácima), tendo participado no ano seguinte no volume Poesia 61, com Tatuagem (edição dos autores, Faro, Tip. Cácima). Ao longo dessa década publica sucessivamente Cidadelas Submersas (Pedras Brancas, Covilhã, 1961), Verão Coincidente (Guimarães Editores, 1962), adaptado ao cinema por António Macedo, Amor Habitado (Guimarães Editores, 1963), Candelabro (Guimarães Editores, 1964), Jardim de Inverno (Guimarães Editores, 1966) e Cronista não é Recado (Guimarães Editores, 1967). Em 1971, Minha Senhora de Mim (Dom Quixote, 1971), considerado um marco de viragem na poética feminina portuguesa, é apreendido pela polícia política da ditadura; segue-se, em 1976, Educação Sentimental (A Comuna) e, em 1977, Mulheres de Abril (Caminho). No último quartel do século são editados Os Anjos (Litexa Portugal, 1987), Minha Mãe Meu Amor (Rolim, 1984; Prémio Poesia Revista Mulheres), Rosa Sangrenta (Nova Nórdica, 1987), Destino (Quetzal, 1997) e Só de Amor (Quetzal, 1999). Em 2006, publica Inquietude (Quasi) e, em França, Les Sorcières – Feiticeiras, edição bilingue da Actes Sud, com tradução de Catherine Dumas. Em 2009, toda a sua obra poética é coligida em Poesia Reunida (Dom Quixote). No Brasil saem, em 2007, Cem Poemas [Antologia Pessoal] + 22 Inéditos (7Letras) e Palavras Secretas (antologia da editora Escrituras), e, em 2009, Poemas do Brasil (Brasiliense).
Em 2012, publicou Poemas para Leonor (Dom Quixote); em 2013, A Dama e o Unicórnio (Dom Quixote), e, em 2016, Anunciações – Um Romance (Dom Quixote; Prémio Autores SPA/ Melhor Livro de Poesia 2017). Ainda no âmbito da poesia, publicou Poesis (Dom Quixote, 2017), Estranhezas (Dom Quixote, 2018), e a antologia pessoal Eu Sou a Minha Poesia (Dom Quixote, 2019). O seu mais recente livro de poesia é Paixão (Dom Quixote, 2021), uma homenagem ao seu companheiro de vida que partiu em 2019, Luís de Barros.
No romance impõe-se com Ambas as Mãos Sobre o Corpo, em 1970, e no ano seguinte, conjuntamente com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, publica Novas Cartas Portuguesas (Estúdios Cor), obra que valeu às autoras um processo judicial “por ofensa à moral pública” e que está editada em numerosos países (consulte-se o projeto “Novas Cartas Portuguesas – 40 Anos Depois” in <https://www.novascartasnovas.com/index.html>). No romance destacam-se ainda Ema (Rolim, 1984) e A Paixão Segundo Constança H. (Bertrand, 1994) e, em 2011, após uma investigação de mais de dez anos, publica As Luzes de Leonor (Dom Quixote), sobre a Marquesa de Alorna (Prémio D. Diniz, da Fundação Casa Mateus). Em 2019, publica Quotidiano Instável (Dom Quixote), reunindo as crónicas que assinou no suplemento literário “Literatura e Arte”, do diário A Capital, entre 1968 e 1972.
Em 2008, é-lhe atribuído o Prémio Paridade-Mulheres e Homens na Comunicação Social, pelo ensaio “A Palavra das Mulheres: Uma Escrita do Corpo”. Já em 2009, é homenageada no IV Seminário Internacional Mulher e Literatura, que decorre em Natal, no Brasil. Em 2010, é distinguida com o Prémio Máxima Vida Literária, pelo seu livro Poesia Reunida (1960-2006) (Dom Quixote, 2009). Em 2014, ano em que lhe foi atribuído o Prémio Consagração de Carreira pela Sociedade Portuguesa de Autores, editou o volume de contos Meninas (Dom Quixote).
Em 2019, realiza-se em Lisboa um congresso internacional, de homenagem à vida e obra da autora, intitulado “Maria Teresa Horta e a Literatura Contemporânea: de Espelho Inicial (1960) a Estranhezas (2018)”, organizado pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e o Palácio Fronteira.
Maria Teresa Horta é recipiente de duas condecorações: em 2004, recebe o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, e, em 2022, por altura da comemoração dos cinquenta anos da publicação de Novas Cartas Portuguesas, é condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Ordem da Liberdade.

Outra Bibliografia, incluindo Traduções:
 

  • Ana (Futura, 1974) (romance) (Em 1982, é publicada em Paris, França, uma edição bilingue, pela Éditions Des Femmes)
  • Cristina (Robim, 1975) (romance)
  • Aborto, direito ao nosso corpo, Célia Métrass, Helena de Sá Medeiros e Maria Teresa Horta (Futura, 1975) (ensaio/ inquérito)
  • Poesia Completa, 2 vol. (Litexa, 1983)
  • Antologia Poética, org. David Mourão-Ferreira (Círculo de Leitores, 1994)
  • Antologia Pessoal – 100 Poemas (Gótica, 2003)
  • Azul Cobalto (Oficina Raquel, 2014) (contos publicados no Rio de Janeiro, Brasil)
  • Mia Signora di Me, trad. Federico Bertolazzi (Valigie Rosse, 2018) (edição bilingue)
  • Maria Teresa Horta: Poesia, Década 1960 (Liber Ars, 2019) (poesia publicada no Brasil)
  • Maria Teresa Horta: Poesia, Década 1970 (Liber Ars, 2019) (poesia publicada no Brasil)
  • Maria Teresa Horta: A LIfe of Writing, Writing Lives/ Uma Vida de Escrita, Escrevendo Vidas, trad e notas por Patricia Odber de Baubeta e Margarida Vale de Gato (Húmus, 2019) (poesia e contos em tradução, edição bilingue)
  • Point of Honour: Selected Poems of Maria Teresa Horta, trad. para Inglês por Lesley Saunders (Two Rivers Press, 2019) (antologia de poesia em tradução, edição bilingue)
  • Memórias do Brasil (Liber Ars, 2020) (poesia publicada no Brasil)

Bibliografia Crítica Selecionada

Bittencourt, Miriam Raquel Morgante. 2005. «A escrita feminina e feminista de Maria Teresa Horta». Tese de Doutoramento, Assis: Universidade Estadual Paulista. https://repositorio.unesp.br/handle/11449/103662.

Carmo, Sarah. 2013. «Para uma poética da demarcação: Ema de Maria Teresa Horta». Abril - Revista do Núcleo de Estudos Portugueses e Africanos da UFF 5 (10): 79–88. https://doi.org/10.22409/abriluff.v5i10.29686.

Faustino, Maria João. 2014. «Maria Teresa Horta jornalista: percurso, memória e circunstâncias». Comunicação Pública 9 (15): 1–18. https://doi.org/10.4000/cp.635.

Hernandes, Andréia Nogueira. 2009. «A mulher e o prazer na poesia erótica de Maria Teresa Horta». Revista Boitatá 4 (8). https://doi.org/10.5433/boitata.2009v4.e31060.

Malato, Maria Luísa. 2017. «As luzes de Leonor, de Maria Teresa Horta; entre a Literatura, a História e a Filosofia». Cadernos de Literatura Comparada, n.o 37: 107–29. https://www.ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/441


Malato, Maria Luísa. 2016. «As luzes de Maria Teresa Horta: uma retórica da sensibilidade». Fragmentum, n.o 47 (junho): 59–75. https://doi.org/10.5902/fragmentum.v0i47.21760.

Oliveira, Ana Maria Domingues de. 2016. «Maria Teresa Horta: Primeiros escritos». Cadernos de Literatura Comparada, n.o35: 49–58. https://www.ilc-cadernos.com/index.php/cadernos/article/view/381


Poubel, Natália Salomé, e Vinícius Carvalho Pereira. 2020. «Quantas Marias há na lírica de Maria Teresa Horta: uma questão de performance». Scripta Uniandrade 18 (1): 181–95. https://doi.org/10.5935/1679-5520.20200010.

Souza, Natália Salomé de, e Vinícios Carvalho Pereira. 2018. «A escrita da mulher/a escrita feminina na poesia de Maria Teresa Horta». Revista Estudos Feministas 26 (2): 1–14. https://doi.org/10.1590/1806-9584-2018v26n244115.

Souza, Natália Salomé de, Lívia Ribeiro Bertges, e Vinícius Carvalho Pereira. 2016. «Maria Teresa Horta: escrita feminina na poesia de um corpo liberto». Interdisciplinar: Revista de Estudos em Língua e Literatura 26 (dezembro): 123–36. https://periodicos.ufs.br/interdisciplinar/article/view/6302