TELMA TVON
(Luanda, 1980) Tendo emigrado para Portugal em 1993, foi uma das primeiras MCs em Portugal. Licenciada em Estudos Africanos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Mestre em Serviço Social pelo ISCTE. Encontra-se a trabalhar num projeto de intervenção social que tem como objetivo primordial conter a taxa de abandono escolar do ensino secundário na zona de Sintra, Lisboa. Iniciou-se como rapper em 1996, tendo formado o grupo Backwordz com outras MCs e participado em diversos mixtapes. Este grupo fez parter dos cartazes de concertos em escolas, bairros sociais, associações culturais em Lisboa e no Porto, bem como participou em vários mixtapes de Djs conhecidos no circuito subterrâneo, Djs como CruzFader e Bomberjack. O grupo terminou em 200, devido a problemas pessoais de alguns elementos do grupo. 2001: constituição da crew de MC's chamada Hardcore Click. A crew foi composta por cerca de 12 Mc's de diferentes locais em Portugal. A ideia do projecto era reunir e criar uma plataforma que lançasse todas os MC's de Portugal que se sentissem invisíveis no entanto ficou circunscrita apenas a Lisboa. A crew reuniu-se e com a mestria de Dj CruzFader lançou a mixtape feminina intitulada: RAParigas na Voz do Soul. Em 2002: formou o grupo Lweji, com a MC Geny. O caminho profissional é semelhante ao do Backwordz, tendo em conta que deram vários concertos e participaram no álbum de outros MC's, tais como XEG, Verbal, GMS, entre outros. Em 2004, lançaram o álbum com o nome Finalmente, que incluiu maioritariamente participações femininas. Em 2014, participou em compilações e álbuns individuais, com ênfase na participação com a canção Nós Contra Nós na compilação REVISTA [Repertório Musical Urbano] que reuniu MC's de vários países africanos de língua oficial portuguesa. Também neste ano, entrou no único Cypher feito até agora apenas com MC's femininos em Portugal, Cubic 360 Cypher com a presença de Dama Bete, Zuka, Shiva, Telma Tvon e Sharye. Em 2019, foi o lançamento da canção "O-sem-precedente", com o duo Fado Bicha e os produtores Xinobi e Teo. Esta canção fez parte da campanha do Partido Livre para apoiar a candidata Joacine Katar Moreira. Em 2020, colaborou na música “Rainha” com as artistas do género soul music Khira, Annia e Shiva (que também é MC) para o projecto Chá de Beleza Afro, que visa capacitar as mulheres das comunidades africanas em Portugal.
Em 2015, participou no livro 39 Poemas e Contos contra o Racismo, com o conto “Olhares nas Noites ao Sol”, que teve lugar no contexto da celebração do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial e do Dia Mundial da Poesia. Em 2017, publicou o seu primeiro livro, intitulado Um Preto Muito Português (Chiado Books) que aborda várias questões relacionadas com a identidade de um jovem nascido e educado em Portugal de ascendência cabo-verdiana. Budjurra, como é conhecido, fala-nos das suas aventuras numa sociedade que o vê e o trata como uma minoria. Ele revela as suas preocupações e levanta algumas questões sobre conceitos como racismo, discriminação, estereótipos, igualdade e humanidade. Em 2018, Colaborou como júri no concurso “77 Words against Racial Discrimination Competition”. Fiz parte do júri que escolheu os poemas das categorias de jovens. Em 2019, contribuiu com um artigo sobre os afro-descendentes em Portugal na revista Nansen, que se apresenta como "Uma revista sobre migrantes de todos os tipos" e também contribuiu com um artigo para o Jornal Rosa Maria sobre a breve história das She's of Rap, onde tentou dar a conhecer todos os MC's que integraram a cultura desde o seu aparecimento em Portugal até aos dias de hoje. Em 2020, participou na exposição "Contos de Lisboa", situada no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa até 16 de Maio, com o conto A Cassette de Santa Luzia. Em 2020, terminou o seu segundo livro intitulado Se é Só Sexo, não pode ser Género que aborda vários temas do universo feminino Em 2021, participou no African Book Festival, em Janeiro do corrente ano, em Berlim sob a curadoria do escritor e músico Kalaf Epalanga. Em 2021, foi convidada enquanto narradora de estórias no álbum do músico brasileiro Luca Argel, Samba de Guerrilha lançado a 17 de Fevereiro. Em 2021, participou na exposição de fotografia Visões do Império inaugurada a 15 de Maio. Em 2022, fez “O que eu sei de mim?” - Oficina de Rap destinado a jovens dos 14 aos 18 anos, no espaço Casa Fernando Pessoa, em alusão ao Dia Mundial da Poesia. Também neste ano, participou no projeto “Abril em Lisboa” onde 48 mulheres,escritoras, poetas e cantautoras pintam o chão de Lisboa com pensamentos, poemas ou aforismos de sua autoria; participou em “O Lugar das Palavras” onde Fernanda Almeida entrevista ao vivo os autores Heduardo Kiesse, Venâncio Calisto e a rapper Telma Tvon para o programa “Escrever na Água”, da RDP África. Participa igualmente nos Mapas de Confinamento, iniciativa lançada, em 2021, por Gabriela Ruivo Trindade e Nuno Gomes Garcia (https://www.mapasdoconfinamento.com/our-story).
Bibliografia Crítica Selecionada
Gonçalves, Bianca Mafra. 2019. «Existe uma literatura negra em Portugal?» Revista Crioula, n.o 23 (semestre): 121–40. https://doi.org/10.11606/issn.1981-7169.crioula.2019.155948.
Lupati, Federica. 2019. «From the Margins of the Periphery: Female Voices from Brazil´s and Portugal´s Hip Hop Scene». Tese de Doutoramento, Lisboa: Universidade Nova de Lisboa. https://run.unl.pt/handle/10362/91277.
Lupati, Federica. 2019. «From rap to literature: Creativity as a strategy of resistance in Portugal through the works by Telma Tvon». Em Intelligence, Creativity and Fantasy, 479–86. Londres: CRC Press. https://novaresearch.unl.pt/en/publications/from-rap-to-literature-creativity-as-a-strategy-of-resistance-in-.
Lupati, Federica. 2019. «Sobre as margens das periferias: Uma introdução às vozes femininas do rap feito em Portugal». Faces de Eva, n.o Extra: 207–20. https://run.unl.pt/handle/10362/95400
McCombe, Erin. 2021. «Narrating nightlife: discotecas africanas in contemporary fiction by women writers of African descent». Em Abstracts ICNS.LX 2021 II International Conference on Night Studies, 22. Lisboa: CIES, ISCTE-IUL. https://www.researchgate.net/profile/Sana-Benbelli/publication/358001911_Turning_Rooftops_into_Cafes_Nocturnal_Appropriations_of_Public_and_Private_Spaces_in_Casablanca_Morocco_During_the_Pandemic/links/61eab3bd8d338833e38566c4/Turning-Rooftops-into-Cafes-Nocturnal-Appropriations-of-Public-and-Private-Spaces-in-Casablanca-Morocco-During-the-Pandemic.pdf.
Ribeiro, Margarida Calafate. 2021. «O Sentimento de um(a) Ocidental Declinado no Feminino». Portuguese Literary & Cultural Studies, n.o 24/35: 331–52. https://ojs.lib.umassd.edu/index.php/plcs/article/view/PLCS34_35_Ribeiro_page331
Sampaio, Jacqueline Lima Coelho. 2022. «Diálogos Femininos na Diáspora Luso-Brasileira: Encontros e Divergências nas Comunidades Literárias Negras do Século XXI». Tese de Doutoramento, Ohio: Ohio State University. https://etd.ohiolink.edu/acprod/odb_etd/etd/r/1501/10?clear=10&p10_accession_num=osu1661113342113487.
Silva, Daniel F. 2022. «Black Migration, Citizenship, and Racial Capital in Post-Imperial Portugal». Em Twenty-First Century Arab and African Diasporas in Spain, Portugal and Latin America. Nova Iorque: Routledge. https://www.taylorfrancis.com/chapters/edit/10.4324/9781003245117-9/black-migration-citizenship-racial-capital-post-imperial-portugal-daniel-silva.